
Era uma vez um país, longe, muito longe daqui. Todos celebravam as festas. Um dia chegaram cavaleiros, muitos, aos milhares, pareciam nuvens de gafanhotos, e conquistaram aquela terra. A partir daquele dia, as crianças deixaram de brincar na rua. Ficaram quetinhas em casa. Esqueceram-se de empinar arraia. De repente, não aprontavam mais nem pintavam o sete. A alegria da família ficou menor. Também às comunidades chegou uma tristeza que cresceu tanto que as pessoas começaram a curvar-se. Tudo começou com os jovens e adultos. E essa espécie de doença pegou. Todo o mundo caminhava olhando pro chão. Ninguém enxergava ninguém. Ninguém tinha a coragem de levantar a cabeça. Alguém achava que até devia existir uma lei para que todos se comportassem desse jeito. Respiravam com dificuldade, mas mesmo assim continuaram olhando para o chão. Esqueceram-se de sorrir: para que sorrir, se ninguém podia ver o rosto do outro? Esqueceram as histórias que os antepassados contavam nas praças. A festa sumiu da cabeça dos jovens.
Mas num pequeno povoado havia um garotinho que crescia por dentro, que contemplava as situações de sofrimento. Sentia também ele a dor na sua casa. Os impostos atingiam a todos. Pedreiro, que nem ele, pagava direitinho as taxas. E entre encomenda e biscate refletia com seus botões: "As coisas não podem continuar dessa maneira. Assim não dá. Não temos nem ar para respirar. Deus vai dar um basta em tudo isso!". E aquele pedreiro - carpinteiro que ia de aldeia em aldeia começou a dizer: "Agora chega! O tempo se cumpriu. O reino de Deus está acontecendo: Levantem a cabeça, respirem e cantem, está perto a vossa libertação" (Lc 19,28). E todo o mundo sentiu no corpo aquele vendaval de vida e liberdade. Começaram a convidar o vizinho a "levantar a cabeça", e a cantar na praça e na comunidade: Levante a cabeça, irmão! Levante a cabeça, irmã! A virada do Reino chegou! Acredite no Evangelho! (Mc 1,14-15).
E a praça voltou a ser do povo e ganhou nome novo: "Praça das crianças!" Outros a chamavam "Praça da Alegria" e outros chamavam de: "Sonho de Liberdade!". Assim acontecia uma vez em Nazaré, na Galiléia, no país de Jesus. Aquela Boa Notícia se espalhou além do Brasil! E por toda região se escuta uma música e se canta ate hoje um refrão: "Levante a cabeça, comece a pensar, coloque cada coisa no seu devido lugar!"
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